Humildade não é ingenuidade 23 de março de 2011 – Publicado em: Blog

Uma das qualidades humanas mais estimuladas pela filosofia oriental é a humildade em todos os aspectos e situações da vida. Para se assimilar essa atitude tão nobre primeiramente precisamos compreender o seu real significado, ou melhor, todas as nuances de sua intenção. A palavra humildade vem da mesma raiz de humano (coincidência?).
Precisamos de humildade para aceitar o fato de que estamos nessa vida primeiramente como aprendizes e sendo assim, nunca estaremos preenchidos de uma absoluta Sabedoria, nem de todo o conhecimento.
Luz significa informação. Existem basicamente duas formas de aprendizado: cultural e experimental. O cultural pode ser adquirido através de livros, aulas ou qualquer tipo de veículo que contenha informações implícitas. Já o aprendizado experimental necessita de vivências, de sensações, de sentimentos, enfim de se experimentar a questão em si. Esses são os únicos tesouros que podemos levar quando partimos dessa existência.
No curso dessa vida se não tivermos humildade para aceitar o fato de que o tempo todo precisamos estar abertos ao aprendizado, assumindo a nossa constante ignorância e sempre flexível às mudanças necessárias, muitas vezes urgentes, estaremos impedindo a nossa evolução e iremos partir quase do mesmo jeito que chegamos.
Atualmente somos impulsionados com muito mais velocidade ao crescimento; são muito mais estímulos, de todas as formas e veículos. Todos nós percebemos que o tempo está passando muito mais depressa e por isso corremos mais e mais…

Nesse momento temos que ter muito cuidado em selecionar aquilo que desejamos aprender, seja através da vivência ou de instrumentos de aprendizado cultural. Sinta o seu coração no momento da escolha dos mestres, dos livros, dos temas a serem incorporados à sua vida. Não se force a compreender uma matéria só porque está na moda ou para competir com o amigo que aparentemente está mais adiantado do que você.
Siga o seu próprio caminho, perceba as suas reais necessidades, olhe para frente, para suas metas, para os seus objetivos e perceba as suas reais intenções. A ambição é uma ferramenta estimuladora do crescimento, mas se não tiver limites, transforma-se em ganância e podemos nos afogar em um mar de vaidades. A ingenuidade pode ser uma manifestação de imaturidade ou de ignorância, mas pode ser que você esteja cego de tanto envolvimento com o seu ego, repleto de ilusão.
E uma das piores ilusões é a crença de que os seus atos de bondade expressam uma criatura evoluída e generosa. Na maioria das vezes nós mentimos para nós mesmos e juramos que nossos atos de filantropia são muito nobres, enquanto isso nossas reais obrigações materiais e espirituais ficam na omissão. Enquanto vamos para a rua acolher um necessitado, nossos filhos, pais, marido, esposa, ficam em casa carente de atenção, de cuidados e de amor. Isso é incoerência, hipocrisia e fuga das verdadeiras obrigações.
Quando damos uma esmola na rua, não enxergamos que estamos tirando o estímulo do outro para ir atrás do seu próprio dinheiro e nos sentimos tão importantes através desse gesto tão nobre de doação.
O pior cego é aquele que NÃO QUER VER.

Precisamos sim ter a convicção de nosso valor como ser humano e cumprir ao máximo nossas propostas de vida, mas com humildade e flexibilidade, agindo com sabedoria e maturidade. Dessa forma estaremos em constante aprendizado. E ao mesmo tempo já estaremos sendo um verdadeiro mestre porque a melhor maneira de ensinar é sendo o modelo, sendo coerente com suas crenças e filosofias, sendo Íntegro e Ético.

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